Erva daninha cor de abacate

 Prólogo


Será possível escrever um livro inteiro sobre uma rua? Se nada de especial se encontrar nela, não há porque tentar. 

Depois de andar 10 minutos até a parada de ônibus, pegar o metrô até a última estação e andar 15 minutos até a terceira esquina à direita, olhe ao redor. A mais bela das ruas não é movimentada.

Talvez não a ache interessante se não olhar com atenção. Mas a erva daninha entre os tijolos das paredes é verde como abacate. E a rua segue de uma maneira unicamente irregular.

É poético classificar algo irregular como único sendo que ambos descrevem o que não pode ser repetido. Só falo por ser poético, não há outro motivo.

Assim como muito do que observo, essa rua grita silêncio. 

É verdade que a falta de emoção preenche muitas das grandes cidades desse pequeno país. 

Esta apenas grita silêncio. 

Porém é belíssima. 

A rua que abriga o chaveiro com loja na esquina. Não são muitos que vivem nos dois prédios que nessa rua se pode notar. Ambos com varandas intrigantes e a pintura caindo. 

Se perder por lá é fácil. A rua permite isso. 

Essa rua não tem nome. Não há nenhuma placa que indique seu nome. 


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